Le Brésil a enregistré au moins 257 morts violentes de personnes LGBT+ en 2025, selon les chiffres publiés le 18 janvier par le Grupo Gay da Bahia (GGB), l’une des principales organisations de défense des droits LGBTQIA+ dans le pays. La majorité de ces décès sont des homicides, tandis qu’une vingtaine sont considérés comme des suicides liés à l’orientation sexuelle ou à l’identité de genre.
Cela représente une personne LGBT+ victime d’une mort violente toutes les 34 heures en moyenne. Ce chiffre est inférieur aux 291 décès recensés en 2024. Selon les experts, cette diminution reflète en partie une meilleure collecte de l’information et une sensibilisation accrue à l’importance de signaler les violences, mais le niveau de violence reste extrêmement élevé.
Les hommes gays (156) et les femmes trans (64) restent les plus touchés, avec des cas également recensés parmi les lesbiennes (4) et personnes bissexuelles (9). Trois personnes hétérosexuelles ont également été tuées, soit en défendant une personne LGBT+, soit parce qu’elles semblaient appartenir à la communauté.
Les violences frappent toutes les régions du pays, avec une hausse inquiétante dans certains territoires, comme le Distrito Federal. Début janvier, João Emmanuel, un professeur de 32 ans, a été assassiné à Brasília dans un crime qualifié d’homophobe par la police.
Selon des organisations internationales, le Brésil reste le pays comptant le plus grand nombre de morts violentes de personnes LGBT+ dans le monde, les personnes trans étant particulièrement exposées. « Ces violences s’inscrivent dans un contexte de forte criminalité générale, renforcé par la discrimination structurelle, les préjugés sociaux et l’absence de protections légales efficaces. Le sous-enregistrement officiel contribue à masquer l’ampleur réelle du phénomène. »
Pour Marcelo Brito Guimarães, avocat brésilien spécialisé dans le droit LGBT affilié à STOP homophobie, « les problèmes ne se limitent pas à ces faits. Plusieurs autres obstacles bureaucratiques entravent la réalisation des droits, tels que le manque de formation des agents du système judiciaire, le non-respect des droits acquis et les forces religieuses qui tentent de remettre en cause les progrès accomplis. » Cette analyse souligne que la violence contre les personnes LGBT+ est autant institutionnelle que sociale.
Au Brésil, les droits fondamentaux des personnes LGBT+, comme le mariage pour tous·tes ou la reconnaissance de protections contre les discriminations, ont été obtenus par décisions de la Cour suprême et non par la législation. Aucune loi spécifique ne garantit encore ces droits, ce qui expose les personnes LGBT+ à une vulnérabilité accrue.
Dans ce contexte, les associations et la société civile jouent un rôle central. Faute de politiques publiques structurées, elles assurent souvent seules l’accompagnement des victimes, l’accès aux soins, au logement et à l’aide juridique. Les centres d’accueil, cliniques sociales et espaces culturels portés par des collectifs LGBTQIA+ constituent des filets de protection essentiels face à la précarité et à l’isolement.
Les ONG appellent à une mobilisation renforcée de l’État, tant pour prévenir les violences que pour améliorer le suivi des crimes motivés par la haine, alors que la reconnaissance juridique des droits dépend encore largement de l’action des juges et de l’engagement associatif.
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Uma pessoa LGBT+ é morta a cada 34 horas no Brasil em 2025, aponta ONG O Brasil registrou pelo menos 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ em 2025, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), uma das principais organizações de defesa dos direitos LGBTQIA+ do país. A maioria das mortes foi causada por homicídios, enquanto cerca de 20 casos foram classificados como suicídios relacionados à orientação sexual ou identidade de gênero. Isso significa uma pessoa LGBT+ vítima de morte violenta a cada 34 horas em média. O número é inferior às 291 mortes registradas em 2024. Especialistas explicam que essa redução parcial reflete melhor coleta de dados e maior conscientização sobre a importância de relatar casos de violência, mas o nível de violência continua extremamente alto. Os homens gays (156) e as mulheres trans (64) permanecem os mais afetados. Três pessoas heterossexuais também foram assassinadas por defenderem pessoas LGBT+ ou por serem percebidas como parte da comunidade. A violência atinge todas as regiões do país, com aumento preocupante em alguns territórios, como o Distrito Federal. No início de janeiro, João Emmanuel, professor de 32 anos, foi assassinado em Brasília em um crime classificado como homofóbico pela polícia. Segundo organizações internacionais, o Brasil continua sendo o país com o maior número de mortes violentas de pessoas LGBT+ no mundo, com vulnerabilidade especialmente elevada das pessoas trans. “Essas violências acontecem em um contexto de alta criminalidade geral, agravadas pela discriminação estrutural, preconceitos sociais e ausência de proteção legal eficaz. O subregistro oficial contribui para esconder a real dimensão do problema.”
Para o advogado Marcelo Brito Guimarães, especialista em direito LGBT, a situação vai além dos assassinatos. “Existem muitos entraves burocráticos que dificultam a efetivação dos direitos, como a falta de formação dos agentes do sistema de Justiça, o desrespeito a direitos já reconhecidos e a atuação de grupos religiosos que tentam barrar ou reverter avanços”, afirma. Para ele, a violência contra pessoas LGBT+ não é apenas física, mas também institucional.
No Brasil, os direitos fundamentais das pessoas LGBT+, como casamento entre pessoas do mesmo sexo e proteção contra discriminação, foram garantidos por decisões do Supremo Tribunal Federal, não por leis específicas. A ausência de legislação específica aumenta a vulnerabilidade frente à violência e à discriminação. Nesse contexto, associações e sociedade civil têm papel central. Na ausência de políticas públicas estruturadas, elas frequentemente garantem acolhimento, acesso à saúde, moradia e apoio jurídico. Casas de acolhimento, clínicas sociais e centros culturais criados por coletivos LGBTQIA+ funcionam como redes de proteção essenciais em situações de vulnerabilidade e exclusão. As ONGs pedem mobilização urgente do Estado, tanto para prevenção da violência quanto para melhorar o registro e monitoramento de crimes de ódio, enquanto a proteção legal ainda depende, em grande parte, das decisões judiciais e do engajamento da sociedade civil.
















